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Mostrando postagens de 2019

Carta dos caciques Munduruku: um libelo de um povo em perigo

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Preâmbulo, por Telma Monteiro Já escrevi muito sobre os Munduruku e com eles estive em muitas ocasiões. Em todas elas a ameaça às suas terras e à sua integridade foram objeto de preocupação e reivindicações. Neste momento em especial, os Munduruku estão ameaçados mais uma vez, agora pelo governo Bolsonaro, como comprova o manifesto que eles divulgaram e que estou postando a seguir.  Quero, ainda, deixar aqui um trecho de uma poesia sobre os Munduruku e sua ligação com o rio Tapajós. Da profanação do território sagrado  dos Munduruku, até o véu místico formado por centenas de cânticos e rimas que ecoam nas pedras e nas águas dos rios.A pressão dos engolidores de floresta acabará se perdendo nos escaninhos da história. O silêncio descerá sobre o lugar sagrado e a inocência se dissipará nas espumas.  Ritos e cerimônias Munduruku não serão mais ouvidos e ecoados com o murmúrio das águas do rio Tapajós, poderoso e belo. (Telma Monteiro)

Carta dos caciques Munduruku Ajebuyxi gu ekawen tup: o pap…

Povo Munduruku representado em Berlim: "A luta é de todos nós!"

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“A luta é de todos nós!”: a luta do povo Munduruku da Amazônia na greve mundial do clima
“ele [Bolsonaro] está expulsando a gente da nossa casa para construir projeto de morte, está nos envenenando com agrotóxico, mercúrio e lixo. A nossa Amazônia está queimando para fazer pasto, plantar soja para Europa. A nossa Amazônia está em chamas para construir barragens e ferrovias, querem tirar o nosso bem viver que são a nossa casa, o nosso rio.”
A luta em defesa do clima não dá para fazer sem a luta Munduruku em defesa da vida na Amazônia, que é a luta dos povos indígenas e povos da floresta. Assim é que, representando aos povos indígenas na defesa da Amazônia, Alessandra Korap, do povo Munduruku, viajou desde sua terra no rio Tapajós (No Pará, Brasil) até Berlim, na capital alemã, levando sua voz na greve pelo clima.
A manifestação de 20 de setembro de 2019 aconteceu paralelamente em 150 países,  mobilizando milhões de pessoas pela justiça climática. Só na Alemanha houve manifestações em…

Violação psíquica e física, é o que sinto ao ouvir Jair Bolsonaro

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Como milhões de brasileiros, espero, estou  tentando digerir os impactos nas nossas personalidades e nos planos de futuro das famílias. Por Telma Monteiro
No final do ano passado, depois da eleição em segundo turno, parece que ouve um súbito silêncio e uma absoluta sensação de impotência e medo do futuro. Pelo menos foi o que eu senti. Nosso pior pesadelo estava se consolidando e não haveria saída a não ser enfrentá-lo. O ano de 2019 começou e com ele veio uma avalanche de desmanches institucionais, sociais, políticos, pessoais.
Pessoas como eu, acredito, devem ter tido a mesma sensação: a de que estávamos prestes a vivenciar uma nova era no Brasil, a do retrocesso temperado com o autoritarismo da ignorância. Como se confirmou, uma sucessão de situações constrangedoras, partiram de um mandatário da República, que despeja sobre nós uma verve incontrolável de obscenidades e ofensas dirigidas aos mais variados segmentos da sociedade. Junte-se uma equipe de governo desgovernada, com aresta…

A conivência do governo com o crime ambiental na Amazônia

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Telma Monteiro Veja, na matéria da UOL,  como o crime organizado pode estar por trás do desmatamento da Amazônia. E como a Força-Tarefa Amazônia formada por 15 procuradores do MPF - Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia – estão, desde 2018, atrás dos grandes desmatadores. A matéria mostra como empresários, pecuaristas se articulam com mão de obra local, às vezes coagida, para “empreender” verdadeiras empresas de desmatamento.
Nem Bolsonaro, nem o ministro da Justiça Sergio Moro, nem o ministro do Meio ambiente, Ricardo Salles, enxergam o que está ocorrendo na Amazônia. O governo desmantelou, não as quadrilhas criminosas de "desmatadores empresários profissionais", mas a estrutura dos órgãos ambientais que deveriam estar em campo apurando, denunciando e prendendo. A omissão do governo o torna cúmplice de crimes contra o meio ambiente.
É flagrante que o aumento do desmatamento se deve a leniência e conivência desse governo, que deveria ser julgado pela Corte Internacional de J…

Quando vamos agir para resgatar nossa integridade?

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"Eu sou o presidente"! “Eu não peço, eu mando” É isso aí, Johnny Bravo, você é um presidente deslumbrado, tacanho, protagonizando diariamente uma ópera bufa. E nós, os ainda minimamente  saudáveis, à beira de um ataque de nervos, estamos tentando entender como foi que um ser tão asqueroso conseguiu ser eleito presidente e, ainda, ser aplaudido depois de dizer "porra, eu ganhei, porra" em rede nacional.
Por Telma Monteiro
Não vamos fazer nada? Só ficar aqui na rede social, lastimando, criticando, lambendo as feridas, compartilhando discursos aviltantes? Assistindo aos brasileiros que aplaudem boçalidades como se elas fossem manifestações de "espontaneidade"? Palavrões como se fossem normais saídos boca de um presidente da República? E assistir o pavão se regozijar enquanto o país se desmancha? Ele está se divertindo, basta ver como cortou o cabelo, a la Hitler, para debochar do povo. Debocha das instituições e cientistas como se fossem seus escravos. O sober…

Inpe: Um salto técnico-científico para a modernidade na preservação da Amazônia

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Foi justamente uma instituição da União, o Inpe, que criou um projeto de monitoramento do desmatamento da Amazônia, em tempo real, que é uma referência internacional. O projeto foi executado em 36 meses, e com recursos do Fundo Amazônia, que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está tentando acabar, criando um desgaste com os doadores do fundo, Noruega e Alemanha, que já doaram R$ 3,4 bilhões, em 10 anos. É preciso mencionar, também, que Salles diz que a maior parte dos recursos do fundo é usada pelas ONGs. Uma das provas de que ele mente está aqui descrita.
Telma Monteiro 
O sistema de monitoramento da Amazônia é de responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é uma unidade do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI). Esse sistema compreende a produção de dados e informações sobre desmatamento e degradação da floresta.
Jair Bolsonaro, em entrevista a jornalistas internacionais, ofendeu o presidente do Inpe e a instituição, ao question…

Fundo Amazônia: a mentira do Pinóquio

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Telma Monteiro

O ministro do Meio ambiente, Ricardo Salles , em entrevista à Jovem Pan, disse que as ONGs foram beneficiadas com recursos do Fundo Amazônia em detrimento dos governos estaduais e federal. (ClimaInfo)

É só ir até o relatório do FA de 2018, para conhecer a verdade sobre a distribuição dos recursos. 
Conforme o balanço de 2018, do Fundo Amazônia (RAFA 2018), já foram desembolsados R$ 1.063.697.557,14 para custear projetos desde que as doações começaram. Desses recursos, 44% foram destinados a projetos aprovados para o terceiro setor e 56% para projetos do setor público, dos quais 34% são projetos com a União e 22% projetos com governos estaduais e municipais. 

Mas ao compararmos a quantidade de projetos, pode-se perceber uma discrepância brutal. Pois a União e os Estados juntos receberam R$ 1,099 bilhão para 31 projetos aprovados; em contrapartida, o Terceiro Setor (ONGs) e Universidades receberam R$ 722 milhões para 64 projetos aprovados. Ao longo de 10 anos.

Menor número de …

Aquilo que não enxerguei em Sergio Moro: a violação

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Lamento muito, Sergio Moro, você não é mais o herói e nem o super- homem. Você se esvaziou. E, para minha consciência ficar ainda mais tranquila, fui pesquisar os artigos que norteiam o desempenho da magistratura e que você violou - como demonstram os diálogos nos vazamentos veiculados pela mídia - quando juiz, durante a Lava Jato. Renuncie, Sergio Moro.Telma Monteiro

Para a maioria dos brasileiros, a Lava Jato se transformou numa lavagem d’alma. Após décadas de desmandos de políticos no exercício de seus mandatos, finalmente chegara uma espécie de “redentor” classificado como o salvador da Pátria. Sergio Moro seria por quase cinco anos aquele super- homem que nossos olhos super valorizariam.
Eu também acreditei. Confesso, que até hoje (21 de junho de 2019), Sérgio Moro era para mim um juiz imbuído de fazer justiça, punindo a corrupção que grassa no Brasil. A Lava Jato deu-me esperanças de um Brasil melhor, onde a justiça seria feita e empresas corruptoras e agentes públicos corruptos p…

A Cancún brasileira e as usinas nucleares

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Quem pensaria em anular o Decreto 98.864/90 que instituiu a Estação Ecológica (ESEC) de Tamoios, de proteção integral, na Baia de Ilha Grande, nos municípios de Angra dos Reis e Parati, para criar uma nova Cancún? Quem, quem, quem? Telma Monteiro
Sem entrar no mérito de uma Cancún brasileira num santuário ecológico, a Estação Ecológica de Tamoios foi criada para atender ao Decreto 84.973/80 que obriga as Usinas Nucleares a se delimitarem com uma estação ecológica.  O Decreto de 1980 diz ainda que: “a localização e funcionamento de instalações nucleares incluem avaliações pormenorizadas que fazem parte das atividades desenvolvidas em uma Estação Ecológica”
A estação ecológica é a maneira precisa de acompanhar as características do meio ambiente. Qualquer alteração no ambiente provocada pela usina nuclear será imediatamente sentida na estação ecológica. É a segurança da sociedade quanto aos primeiros sintomas de um vazamento nuclear.
Portanto, o boçal terá que anular dois decretos se qui…

Fundo Amazônia e Ibama - o custo de fiscalizar e multar

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Telma Monteiro

Uma das prioridades no uso do dinheiro do Fundo Amazônia (FA) pelo Ibama é a fiscalização. O trabalho de autuar e lavrar autos de infração tem um alto custo para o órgão federal. Infelizmente, os problemas burocráticos fazem com que as multas aplicadas prescrevam. O índice de arrecadação é ínfimo, cerca de 5%. Sem contar que o governo quer acabar com as multas ambientais.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, teria que se preocupar em rever os mecanismos de cobrança das multas lavradas pelo Ibama. No entanto, se prepara para anistiar os invasores da Amazônia e indenizá-los, usando recursos do Fundo Amazônia. Noruega e Alemanha, principais doadores do FA, se preparam para aceitar ou não as novas regras que Salles pretende para a utilização do fundo. 
Nunca é demais conferir:
Quando foi instituído pelo Decreto 6.257 de 1° de agosto de 2008, o Fundo Amazônia teria por “finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitorament…

Fundo Amazônia e alguns esclarecimentos

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A Associação Vale para o Desenvolvimento Sustentável – Fundo Vale - foi criada pela empresa Vale, em 2009, e em 2016 obteve a aprovação de um recurso de R$ 35 milhões do Fundo Amazônia (FA) para um projeto chamado “Renda Florestal”. A mega empresa poluidora Vale, destruidora da floresta, que já recebeu o troféu da pior empresa do mundo, devastadora, dona da Samarco, aquela que destruiu um distrito de Mariana e pouco tempo depois deixou romper a barragem de rejeitos em Brumadinho, ceifando centenas de vidas. Ela poderia se beneficiar dos recursos do Fundo Amazônia? Atenção senhores doadores do FA, Noruega,Alemanha e Petrobras. E ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles!Por Telma Monteiro O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cometeu alguns erros nas suas “conclusões”, não comprovadas, sobre o Fundo Amazônia (FA), quando se pronunciou sobre ele na última semana. Criou um imbróglio com a Noruega e a Alemanha ao afirmar que havia irregularidades no uso dos recursos do fundo, pelas …