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Amazônia – exploração histórica - Parte 1

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Imagem: Época Telma Monteiro Pensando bem, e olhando a história, ainda antes do descobrimento do Brasil, fica claro que a Amazônia sempre foi o alvo da cobiça de investidores, empresas e governos. E continua sendo. Não é preciso ir muito longe nas pesquisas para descobrir como a Amazônia foi explorada desde que Cristóvão Colombo esteve pela segunda vez no Novo Mundo, entre 1493 e 1495. Daí para a exploração da borracha, despois da descoberta da vulcanização, em meados do século XIX, foi um verdadeiro festival de ideias para “integrar” ou “povoar” ou “saquear” a Amazônia. Nenhuma novidade, já que, atualmente, o objetivo continua sendo o mesmo. Para nossa surpresa, em pleno século XXI, em Glasgow, na COP 26, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, soltou a seguinte pérola: “onde tem floresta tem miséria”. Boa, essa! Foi a cereja do bolo da ignorância que pairou como uma nuvem negra sobre a enorme delegação brasileira na COP 26. Glasgow ficou mais acinzentada. O festival de be

Mineração e desmatamento na Amazônia: consequências de uma política de destruição e o exemplo da mineradora Belo Sun

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Imagem apresentação Belo Sun Telma Monteiro O projeto Volta Grande, nome da mina da Belo Sun Mining, pretende retirar 76 t de ouro em 10 anos. A Belo Sun tem 74 quilômetros quadrados ou 74 mil ha de área já reservados, no DNPM, para minerar ouro na Volta Grande do Xingu. Essa área chega até os limites das terras indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande e Ituna/Itatá, área de perambulação dos indígenas isolados. Está tramitando no Congresso o PL 191/2020 [1] para liberar mineração, exploração de hidrocarbonetos e recursos hídricos para geração de energia elétrica em Terras Indígenas (TIs). Um estudo conjunto da USP, UFMG e ISA estima que, se o projeto for aprovado, ele deverá impactar 23% da Amazônia. No período de 1994 a 2020 (em 26 anos) foram requeridos 2.113 pedidos de pesquisa de ouro em Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Amazônia. Mas, só no período de 2010 a 2020 (últimos10 anos) foram 1.174 pedidos. A proposta do PL 191/2020, com trâmite prioritário, ameaça 86

Amazônia: projetos de destruição

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Amazônia ameaçada – ferrovia, mineração, termelétricas, gasodutos, hidrovias

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Imagem: Revista Exame Parte 2 Por Telma Monteiro Dando continuidade ao ciclo de palestras em parceria com a Associação para os Povos Ameaçados (APA), com sedes na Suíça e na Alemanha, faço abaixo um resumo da terceira rodada, desta vez com o  o  Ministério Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ), com sede em Berlim. O  BMZ está ligado à boa governança, ao respeito aos direitos humanos e à luta contra a corrupção. Agora, o “BMZ 2030” [1] estabelece novas prioridades em proteção climática, saúde e política familiar, cadeias de abastecimento sustentáveis, uso da digitalização e fortalecimento dos investimentos privados. Quem já viu uma imagem ou desenho da Amazônia e percebeu o tamanho dela em relação o Brasil, não consegue imaginar tudo o que ela abriga. Ela é um grande mosaico de unidades de conservação, terras indígenas, bacias hidrográficas, sub-bacias, igarapés, cidades em meio à floresta, estradas de difícil acesso, hidrovias e povos indígenas, quilombolas. A

Empresas internacionais querem tornar possíveis, na Amazônia, os projetos da Ferrogrão (EF-170), de hidrelétricas e hidrovia na bacia hidrográfica do Tapajós

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Por Telma Monteiro Como especialista em análise de projetos de infraestrutura na Amazônia, fui honrada com o convite da Associação para Povos Ameaçados (APA), sediada na Suíça e na Alemanha, para contribuir com o primeiro capítulo do relatório Vozes do Tapajós: Perspectivas indígenas sobre projetos de infraestrutura planejados . Esse relatório aborda, em especial e em primeiro plano, o projeto da Ferrogrão (EF-170). O relatório , que analisa esse e outros projetos, tem como pano de fundo os impactos sobre os povos indígenas, a floresta amazônica e os interesses financeiros internacionais e do agronegócio, foi divulgado mundialmente, dia 29 de setembro de 2021, em evento na Suíça, simultaneamente com outros países da Europa e com o Brasil. O documento está dividido em três partes. Eu escrevi o primeiro capítulo - Contexto histórico e descrição do projeto – em que busquei fazer uma análise do contexto histórico da exploração da Amazônia. Meu texto menciona os projetos de infraestrutura

Áudios terroristas em grupos de mídias sociais

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Por Telma Monteiro Participo de grupos variados no WhatsApp, Facebook. Grupos locais de comunidades, grupos de esquerda, de fora Bolsonaro, de meio ambiente, e por aí vai. Mas, um episódio me marcou profundamente, não tanto pela gravidade do acontecido mas pela falta de um mínimo de senso de certo ou errado. Numa dessas entradas no grupo, num de WhatsApp local comunitário, uma senhora encaminhou (com o selo de encaminhado o que significa que recebeu e repassou) três áudios terríveis de fake News sobre sete de setembro, alegando que os teria recebido de uma “fonte limpa” da sua comunidade. Eu cliquei no primeiro e me arrepiei logo de início, pois o conteúdo era puro terrorismo. Não fui até o fim do primeiro e indignada sugeri, ou melhor pedi para que os administradores do grupo retirassem os áudios, sem ouvir o primeiro por completo, e nem abri os outros dois imaginando o que c onteriam. Com a postagem da dita senhora, achei que viria uma discussão didática e em alto nível sobre

Bolsonaro foi eleito pelo medo de se repetir um erro que não houve

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Imagem Tecmundo Por Telma Monteiro Milhões de brasileiros só vivem de esperança de que um dia algo vai mudar e suas necessidades serão atendidas pelo Estado omisso, e o mundo vai ficar mais bonito. Fico assistindo às catástrofes em sequência, às mortes por negligência de governos, às mulheres que choram filhos mortos por balas perdidas, aos moribundos nas portas e corredores de hospitais decrépitos, aos desastres banalizados que já não nos fazem chorar, mas fazem chorar suas vítimas. E a pandemia da Covid 19 imersa num emaranhado asqueroso de descaso, incompetência e corrupção. A feira vulgar de venda de vacinas no Ministério da Saúde, sob o domínio das fardas com cheiro de naftalina, revelada pela CPI da Covid. E, ainda, continuo esperando ver encarcerados os mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson. A lista é interminável, não acabou, as ameaças são cada vez mais escabrosas. Que descobertas nos farão chorar, ainda? O Brasil, meu Brasil brasileiro, canto que não posso esq

O último indígena

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Por Telma Monteiro Este texto é uma licença poética em homenagem aos indígenas isolados , não contatados, na Amazônia, e que estão ameaçados pelo PL490 em tramitação no Congresso Nacional. O legado do seu conhecimento ancestral será reconhecido, no futuro, apenas pelos vestígios que deixarão. O céu estava escuro, um nublado plúmbeo. Muito calor e umidade e ar abafado traziam um silêncio agonizante na floresta. Um silvo ou assovio ecoou para alertar os animais e espantar a indolência no ar. Humano? O ser coberto por um negrume que parecia pó de carvão imobilizou-se, mimetizado entre ramos e galhos. Eram sombras suaves brincando na pele brilhante respingada de gotículas. As passadas eram cuidadosas, mas pareciam retumbantes naquele silêncio quebrado pelo som dos gravetos que gemiam ao seu peso. O índio solitário tentava entender os movimentos e sons que vinham do meio da mata, qual um animal desconhecido. O galho estalou no alto da árvore.   Um vulto brilhou contra a luz pálida