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O último indígena

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Por Telma Monteiro Este texto é uma licença poética em homenagem aos indígenas isolados , não contatados, na Amazônia, e que estão ameaçados pelo PL490 em tramitação no Congresso Nacional. O legado do seu conhecimento ancestral será reconhecido, no futuro, apenas pelos vestígios que deixarão. O céu estava escuro, um nublado plúmbeo. Muito calor e umidade e ar abafado traziam um silêncio agonizante na floresta. Um silvo ou assovio ecoou para alertar os animais e espantar a indolência no ar. Humano? O ser coberto por um negrume que parecia pó de carvão imobilizou-se, mimetizado entre ramos e galhos. Eram sombras suaves brincando na pele brilhante respingada de gotículas. As passadas eram cuidadosas, mas pareciam retumbantes naquele silêncio quebrado pelo som dos gravetos que gemiam ao seu peso. O índio solitário tentava entender os movimentos e sons que vinham do meio da mata, qual um animal desconhecido. O galho estalou no alto da árvore.   Um vulto brilhou contra a luz pálida

Pesadelo ambiental brasileiro

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Imagem: GGN Por Telma Monteiro A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-26) será em novembro e o Brasil deve passar ao futuro sua pior imagem da história. Junte-se a isso a iminência da aprovação do Projeto de Lei 3.729/2004   (já aprovado na Câmara dos Deputados) que flexibiliza a legislação ambiental para que os grandes projetos estruturantes, muitos na Amazônia, possam tramitar em tempo recorde nos processos de licenciamento: dispensando a consulta livre, prévia e informada dos povos indígenas, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), atropelando os trâmites dos processos de licenciamento, além de prever licenças autodeclaratórias. Esse é o status atual da situação ambiental do governo Bolsonaro. O primeiro ano, 2019, da administração do presidente Jair Bolsonaro se pautou, principalmente, pelo desmanche do Ministério do Meio Ambiente. Bolsonaro, ao escolher o já conhecido e nada respeitado Ricardo Salles como ministr

Brasil em chamas

O planeta está queimando com a Amazônia e o Pantanal. O Brasil está virando um inferno. Bolsonaro e Ricardo Salles são os principais responsáveis. Até quando vamos fingir que não está acontecendo? Lógico que não faltam outros responsáveis, nós sabemos. Qual a força que temos para detê-los? Estamos permitindo, sendo coniventes, quando fingimos que não estamos vendo. Não é o índio. Não é o caboclo. Não é a seca. Não é o calor. É o nosso descaso. ( Telma Monteiro )  

Ciência, religião, Fake News e cloroquina

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Excepcional artigo do meu amigo Rodolfo Salm , PhD e professor da Universidade Federal de Altamira, Pará, para o Correio da Cidadania . Recomendo a leitura para melhor entendimento do fundamentalismo que está destruindo o Brasil. Você precisa saber que o futuro pode ser pior do que imaginamos. Ciência, religião, Fake News e cloroquina Rodolfo Salm 14/07/2020 O Brasil está seriamente encrencado. Estamos no meio de uma pandemia que já matou dezenas de milhares de brasileiros e segue matando uma média de mil pessoas por dia. Enquanto isso, o país está sequestrado por uma quadrilha de fundamentalistas de extrema-direita que não quer ou não tem ideia de como lidar com o problema. Apesar do risco de contaminação, a coisa mais sensata a se fazer seria ir às ruas protestar e exigir a preservação da democracia, o cumprimento das leis e um impeachment, baseado em qualquer um dos vários crimes de responsabilidade cometidos por Jair Bolsonaro.   Dado que seu vice foi escolhido propositalment

O Inferno de Dante – a reunião

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Inferno_(Divina_Com%C3%A9dia) “há três aspectos das coisas que devem ser evitados nos modos: a malícia, a incontinência e a bestialidade." (...)A justiça divina retratada no livro ["Divina Comédia" de Dante Alighieri] é cabal, racional e definitiva, o que torna o inferno dantesco uma espécie de "caos impiedosamente ordenado" Por Telma Monteiro Todo mundo está comentando a reunião ministerial do Bolsonaro, de 22 de abril de 2020. Meu estômago estava meio fraco. Só assisti a uma parte e foi suficiente para pensar sobre o que nos levou a produzir tanto lixo humano no Brasil. Lixo que governa o país e que eu não entendo de onde saiu. Saiu? Não, foi excretado, por sabe-se lá qual sina a que estamos destinados. Está na hora de pensar, mesmo em meio à pandemia, como vamos fazer para nos livrar desse lixo em tempo de salvar vidas ameaçadas pela pandemia da Covi-19, entre outras coisas. Estive horas nas redes sociais e o que

Corona Crônicas - Liberdade e tirania

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Por Telma Monteiro “(...) a liberdade de expressão, da imprensa, de opinião, de escolhas políticas, não se põe em risco, mas se protege em quaisquer circunstâncias acima de tudo e acima de todos.” (Telma Monteiro) Esse vazio ético que permeia a sociedade brasileira atual é acachapante. Estamos a caminho de um precipício de onde não poderemos sair tão cedo. Nas mãos de um governo pautado por desgovernos e a mercê de um banho de sangue, somos absolutamente dispensáveis. Quando digo nós, me refiro aos que pensam, que se importam com a ciência, com a cultura, com a população desassistida das periferias, com os moradores de rua, com os povos originários que estão a caminho da extinção, com a importância de fazer isolamento em época de acirramento da pandemia de Coronavírus, com a vergonha de ainda não sabermos quem são os mandantes do assassinato da Marielle e Anderson, com o desmatamento da Amazônia, incêndios no Pantanal, com o garimpo ilegal avançando em terras indígenas

Corona Crônicas - Crise de abstinência e conjecturas

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Foto: Veja/Abril Por Telma Monteiro Bolsonaro é esse ser. Ser abjeto que se alimenta do sofrimento e se regozija com a dor. Admito. Estou com crise de abstinência. Não fui preparada para ficar em isolamento social. Sinto falta de estar com as pessoas, as que amo e as que cruzo pela vida, as que odeio porque são bolsonaristas e estão cegas, e as que não se manifestam para se resguardarem. Sinto falta dos amigos e a conversa virtual não me preenche. Não funciona comigo. Preciso tocar, olhar nos olhos, ver sorrisos e sorrir também, sem que exista uma câmera promovendo isso. Não quero me sentir em um filme de ficção em que todos parecem robôs por detrás da telinha. Observe como até na TV os apresentadores dos programas já parecem autômatos. Não aguento mais ver o Bom Dia Brasil. Meu coração se confrange com as informações sobre a COVID-19. Estou farta e cansada de sentir aquela dor da agonia quando os números aparecem e quando as imagens mostram pessoas desfilando sem másc