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Um golpe chamado Belo Monte - Parte 3

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Telma Monteiro
O TCU fez uma auditoria no final de 2016 e constatou como a Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Eletrobras deram um golpe para faturar Belo Monte. O TCU identificou, em auditoria, sobrepreço no valor de R$ 3,384 bilhões. 
Nesta Parte 3, a auditoria do TCU identificou uma tramoia entre a Norte Energia e o consórcio construtor CCBM, com as empresas projetistas, para "otimizar" os custos com o objetivo de elevá-los. 
Como as grandes empreiteiras abocanharam as obras de Belo Monte
Em fevereiro de 2011, a Norte Energia assinou contrato de construção das obras civis de Belo Monte. As empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Contern, Cetenco, Serveg-Civilsan e J. Malucelli formaram o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM). Ou seja, todas as construtoras aptas do país para construir uma hidrelétrica do porte de Belo Monte dividiram o trecho, sem que houvesse qualquer concorrência. Todas ganhariam seu qu…

Um golpe chamado Belo Monte – Parte 2

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O TCU fez uma auditoria no final de 2016 e constatou como a Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Eletrobras deram um golpe para faturar Belo Monte.
O ministro do TCU, José Mucio Monteiro, define como uma “história trágica” a divulgação dos fatos contidos no relatório de auditoria. Telma Monteiro
Uma “história trágica”
O objetivo da auditoria do TCU foi o de aferir o quão efetivos seriam os controles da estatal Eletrobras sobre os investimentos e contratos firmados para construir a hidrelétrica Belo Monte. Contratos, diga-se de passagem, financiados pelo BNDES a juros subsidiados. Considera-se que houve um desvio de finalidade da participação da Eletrobras no consórcio de Belo Monte
No caso do consórcio vencedor do leilão de Belo Monte, a Eletrobras atuou como empreendedor da Norte Energia e não como acionista, comprova a auditoria. A Eletrobras seria a própria Norte Energia. Sua atividade de fomento, como grupo estatal participante de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), …

Um golpe chamado Belo Monte – Parte I

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O TCU fez uma auditoria no final de 2016 e constatou como a Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Eletrobras deram um golpe para faturar Belo Monte.
Constatou-se também que um pequeno grupo de empresas que participaram nas diversas fase dos estudos de Belo Monte acabaram por esvaziar a concorrência no leilão. Isso permitiu um ambiente de acordos e associações que prejudicaram a concorrência pública.
Telma Monteiro
Finalmente, em 17 de novembro de 2016 o Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceu em relatório de auditoria um superfaturamento de R$ 3,2 bilhões na construção da hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu. Demonstrou, também, as irregularidades desde a concepção do empreendimento. A notícia, postada no site do próprio TCU, aponta sobrepreço no processo de Belo Monte, constatado num relatório de 121 páginas, ao qual tive acesso. A Eletrobras, maior acionista, e a Norte Energia, consórcio responsável por Belo Monte, conseguiram criar muitas dificuldades na tentativa de i…

Satélites da Odebrecht

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Crônica do dia, por Telma Monteiro
Doente? Rachado? Desfigurado? Combalido? Essas palavras ajudam a definir o Brasil hoje. Temos um Congresso contaminado pela corrupção e aliciado por grandes empresas.
Não estou falando só de grandes empreiteiras não. Lembremos que no rastro dessas empreiteiras vêm empresas fornecedoras de todos os tipos. Empresas satélites que gravitam em torno de grandes empreiteiras. Algumas internacionais, fabricantes de turbinas para hidrelétricas e acessórios, por exemplo.
Seria impossível a Odebrecht superfaturar obras sozinha, sem a cumplicidade de outras empresas. Sobrepreços e superfaturamentos são ferramentas necessárias, em toda a cadeia dos grandes empreendimentos, para alimentar o propinoduto. Tome-se como exemplo o consórcio Norte Energia, responsável pela hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu. Não daria para manipular os custos totais de R$ 16 bilhões e elevar para R$ 30 bilhões ou mais, sem a ajuda do consórcio construtor liderado pela …

Florestas e cidades

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Crônica do dia, por Telma Monteiro
São Paulo é uma grande cidade. Quente. Já foi São Paulo da garoa. O ar parece uma cortina aquecida. Sair da mata para um mar de prédios áridos e tristes, fez-me refletir sobre algumas notícias recentes. Tem políticos que pretendem aprovar no Congresso Nacional um projeto de lei para revisar a criação, por Dilma Rousseff, de cinco unidades de conservação. Outra medida diz respeito à redução da Floresta Nacional do Jamanxim, na região do Tapajós, pela Medida Provisória de dezembro de 2016.
Estão tentando acabar com o pouco ou quase nada que Dilma fez em favor da biodiversidade. Será que o Brasil está fadado a regredir? Vejamos o que não regride: a sujeira da corrupção e das ruas; o descaso com a saúde pública; o descaso com a educação; o descaso com as populações indígenas; o descaso com os biomas brasileiros e com os rios. Só para citar alguns. A lista é muito grande.
Segundo o Imazon, a Flona do Jamanxim já perdeu 57% ou, para ilustrar melhor, o equival…

Bom para a França, ótimo para a Odebrecht, ruim para o Brasil. O caso submarino francês comprado pelo Brasil

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Telma Monteiro
O acordo do governo brasileiro com a França incluiu a construção de quatro submarinos convencionais utilizando a já obsoleta tecnologia Scorpéne* e de um submarino de propulsão nuclear. A tecnologia ultrapassada do Scorpéne não é mais utilizada nem pela própria Marinha Francesa.
Numa rápida pesquisa na Internet é possível descobrir as informações sobre o acordo firmado entre Lula e Sarkozi e sacramentado em 7 de setembro, que vai além da transferência da tecnologia de submarinos. Ele inclui a construção e operação de uma base naval e de um estaleiro na Baia de Sepetiba, no Rio de Janeiro, pelo Consórcio Baia de Sepetiba formado por Odebrecht (50%), a estatal francesa Direction des Constructions Navales Services (DCNS) (49%) e a União (1%).
O pacote francês inclui a transferência da tecnologia de projeto do casco para o submarino nuclear brasileiro, que será montado também pela Odebrecht e DCNS; daí a necessidade de uma base naval e de um estaleiro. A Odebrecht mais uma vez…

Lula, Belo Monte e a Lava Jato II

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Telma Monteiro "Belo Monte é um projeto de 30 anos, não é um projeto de agora. Belo Monte levou muito tempo sendo discutida, foi muita gente que discutiu, se fazia projeto, se não fazia projeto, e nós conseguimos dar a Belo Monte um tratamento, diria, qualificado envolvendo todo o segmento da sociedade num debate", afirmou. De acordo com Lula, abandonar um potencial hídrico de, aproximadamente, 260 mil megawatts para começar a usar termoelétrica a óleo diesel será um "movimento insano", contra toda a ação que se faz no planeta. (Extraído: Lula defende a construção da usina de Belo Monte)

Em 2010, Lula esteve em Altamira para “lançar” Belo Monte. Estava acompanhado de autoridades e políticos em campanha. Políticos adoram grandes obras. Principalmente superfaturadas. Campanhas eleitorais no Brasil costumavam receber apoio financeiro de empreiteiras e de concessionárias de serviços públicos. Em especial do setor energético (veja-se a Petrobras e o que se descobriu com a…

Quem é, afinal, Sérgio Moro?

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Hoje (06) tive o grato prazer de compartilhar, no meu perfil do Facebook, uma postagem de Beto Pandiani. Não sei de quem é a autoria do texto, mas ele nos dá uma dimensão de quem é o "gigante" juiz Sérgio Moro. Meus agradecimentos a Beto Pandiani.

Transcrevo abaixo a biografia de Sérgio Moro e espero que muitas vozes que condenam (sem conhecimento) seus procedimentos, mudem. Não para agredir ou defender este ou aquele implicado na Operação Lava Jato, mas para que se tranquilizem quanto ao grau de conhecimento e imparcialidade do excelente trabalho liderado por Sérgio Moro e sua força tarefa. (TM)

Via Beto Pandiani
Muitos podem pensar que ele surgiu de repente, num passe de mágica, para ser e se transformar no cavaleiro da esperança do povo brasileiro. Encarnou e se revestiu da moralidade clamada pela população e vai com determinação marcando novos rumos. Na verdade foram anos de preparo, amadurecimento pessoal e jurídico. Acima de tudo a competência que lhe ampara em todas as …

Lula, Celso Daniel e eu: dezesseis anos depois

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Por Telma Monteiro
Sim, é verdade, eu estive com eles. O ano 2000 teve eleições municipais. Eu era filiada ao PT no diretório do meu município e acabei sendo escolhida coordenadora de campanha do candidato a prefeito.
Nessa época o PT criou grupos de estudos para visitar alguns municípios governados pelo partido e que, sob a ótica do diretório regional, eram bem sucedidos. Santo André, situado na Grande São Paulo, sob a administração de Celso Daniel era um deles. O candidato que eu representava e eu fomos escalados para participar de uma imersão e conhecer o município e a gestão de Celso Daniel.
Chegamos em Santo André bem cedo, na prefeitura municipal. De lá fomos conduzidos para os ônibus que iriam levar as várias delegações de candidatos a conhecer a gestão de sucesso de Celso Daniel e sua equipe. Sentamo-nos nos primeiros bancos e qual não foi nossa surpresa ao perceber que estaríamos acompanhados bem de perto pelo próprio Celso Daniel, por nosso (então) ídolo, Lula, e alguns membros…